A bomba explodiu no cenário político: o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) decidiu, por 5 votos a 2, pela cassação do mandato da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), em um julgamento histórico que pode desencadear um verdadeiro terremoto dentro do Partido Liberal. Com a anulação dos votos da parlamentar, outros deputados da legenda correm risco real de perder seus mandatos.
De acordo com o especialista em direito eleitoral Fabrício Medeiros, a decisão pode ter um efeito dominó devastador.
“A consequência lógica da cassação do diploma é a anulação dos votos atribuídos à deputada. Essa nova totalização pode alterar completamente a composição da bancada do PL e resultar na perda de mandato de outros parlamentares”, explicou.
A sentença contra Zambelli foi motivada pela divulgação de fake news sobre o processo eleitoral de 2022, além do abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação. O tribunal entendeu que a deputada minou a credibilidade do sistema eleitoral ao espalhar informações falsas sobre as urnas eletrônicas e atacar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Com a decisão, Zambelli fica inelegível por oito anos, mas já anunciou que recorrerá ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Enquanto isso, a tensão nos bastidores do PL só cresce.
O efeito dominó: quem mais pode cair?
A anulação dos votos de Zambelli pode desencadear um recálculo dos votos do partido, alterando o quociente eleitoral e colocando em xeque o mandato de outros deputados que se beneficiaram dessa votação.
O desfecho do caso pode redesenhar o mapa da bancada bolsonarista na Câmara Federal e enfraquecer ainda mais o PL, que já vem enfrentando turbulências desde as eleições de 2022.
Zambelli reage e acusa perseguição
Em tom desafiador, a deputada cassada usou as redes sociais para se manifestar, alegando ser alvo de uma perseguição política brutal.
“Essa decisão não tem efeito imediato, e continuarei atuando como deputada federal até o fim dos recursos. No dia 16 de março, estarei na Avenida Paulista pedindo o impeachment de Lula!”, disparou.
A queda de Zambelli pode ser apenas o começo de um efeito cascata que ameaça reconfigurar a direita no Congresso. Nos corredores de Brasília, a incerteza paira: quem será o próximo a cair?
Com a cassação do mandato de Zambelli, PSOL ganharia uma vaga em São Paulo.
A sigla ainda não definiu quem ocuparia o lugar da parlamentar. Mas uma possibilidade seria ex-presidente do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) Ricardo Galvão. "Pelo quociente eleitoral, a federação PSOL-Rede de São Paulo havia conquistado cinco cadeiras em 2022.
Na lista de suplentes, pela ordem do número de votos, estavam Professora Luciene Cavalcante, Ivan Valente e Ricardo Galvão como os três não eleitos mais votados. Com a ida das eleitas Marina Silva e Sônia Guajajara para os ministérios, Luciene e Ivan ocuparam as duas cadeiras que são da federação.
Com uma possível anulação dos votos da Zambelli e a recontagem da proporcionalidade, a federação ganharia mais uma cadeira, passando para seis. Luciene, que era a sexta mais votada, automaticamente ocuparia a vaga titular. Marina e Sônia continuam no governo. Logo, o próximo suplente da lista a ser chamado seria Galvão", afirmou a assessoria do partido.