Uma pesquisa internacional com participação de uma professora da Universidade Federal de Sergipe (UFS) acendeu um alerta importante sobre a saúde dos homens idosos. O estudo aponta que dormir mais de nove horas por noite pode estar associado a uma maior perda de mobilidade em homens com mais de 60 anos.
A pesquisa contou com a participação de Patrícia Silva Tofani, professora da UFS e coautora do artigo científico. Embora o levantamento não tenha sido realizado especificamente com idosos sergipanos, a presença de uma pesquisadora ligada à universidade coloca Sergipe no mapa de uma discussão relevante sobre envelhecimento, sono e qualidade de vida.
O estudo acompanhou mais de 3 mil pessoas acima de 60 anos ao longo de oito anos. A análise observou que homens idosos que dormiam mais de nove horas por noite apresentaram maior redução na velocidade da caminhada com o passar do tempo. Esse mesmo resultado não foi identificado entre as mulheres.
A lentidão ao caminhar é considerada um indicador importante da saúde do idoso. Quando a velocidade da marcha diminui, aumentam também os riscos de perda de independência, quedas, internações e outras complicações associadas ao envelhecimento.
Segundo os pesquisadores, dormir por muitas horas nem sempre significa dormir bem. Em alguns casos, o sono prolongado pode estar ligado a noites mais fragmentadas, com menos fases profundas e menor recuperação do organismo. Entre os homens, esse padrão pode afetar processos hormonais e musculares importantes para a manutenção da força e da mobilidade.
“Nas mulheres, outros hormônios, como o IGF-1 e o GH, desempenham papel mais relevante no anabolismo muscular do que a testosterona. Por isso, o impacto não foi significativo”, afirma Patrícia Silva Tofani, professora da Universidade Federal de Sergipe (UFS) e coautora do artigo.
Para pessoas idosas, especialistas apontam que o padrão de sono costuma mudar naturalmente com o envelhecimento. Ainda assim, dormir mais de nove horas por noite de forma frequente pode ser um sinal de vulnerabilidade clínica e deve ser observado com atenção, especialmente quando vem acompanhado de cansaço, fraqueza, dificuldade para caminhar ou excesso de cochilos durante o dia.
A pesquisa reforça a importância de acompanhar não apenas a quantidade, mas também a qualidade do sono na terceira idade. No caso dos homens idosos, perguntar quantas horas eles dormem pode ser uma estratégia simples para identificar riscos e prevenir a perda de mobilidade.
Com a participação da UFS, o estudo também destaca a contribuição da ciência produzida em Sergipe para debates internacionais sobre saúde, envelhecimento e prevenção de doenças.
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