Na manhã desta segunda-feira, 4 de maio de 2026, o presidente do Sindicato dos Servidores em Conselhos e Ordens de Fiscalação Profissional do Estado de Sergipe (Sindiscose), Igor Baima, compareceu à 1ª Delegacia Metropolitana de Aracaju para prestar esclarecimentos sobre uma denúncia feita pelo sindicato. O inquérito foi instaurado a pedido de Dilson Luiz de Jesus Silva, presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Sergipe (CREA-SE), após o sindicato questionar o uso de recursos públicos na aquisição de um veículo institucional.
Segundo o Sindiscose, o carro em questão, adquirido com recursos públicos pelo valor de R$ 224.990, circulava totalmente descaracterizado, sem brasão ou logomarca oficial do órgão, o que contraria as normas de identificação de bens públicos. O sindicato afirma que a intimação configura uma tentativa de intimidação, uma vez que a denúncia de irregularidade é uma atribuição legítima das entidades sindicais.
“A gente está aqui hoje por uma tentativa de intimidação do movimento sindical e do Sindiscose, após o sindicato cobrar a utilização correta de recursos públicos de dinheiro do CREA, que foi usado para comprar um carro de luxo de mais de R$ 220 mil, um veículo que não tem nenhuma identificação. Por essa denúncia que o sindicato fez, o presidente do CREA, o senhor Dilson Luiz, ao invés de tentar esclarecer a compra e a utilização do carro, resolveu amedrontar o sindicato”, afirmou Igor Baima.
O episódio provocou reação imediata de entidades sindicais em todo o país. Oito sindicatos de diferentes estados — SINSERCON-BA, SINDIFISC-MT, SINDSCOCE (CE), SINSERCON-RS, SINDICOPE (PE), SINDECOF-DF, SINSERCON-PB e SINDICOPA (PA) — divulgaram uma nota conjunta repudiando a ação e classificando a conduta do presidente do CREA-SE como autoritária e antissindical.
Roberto Silva, presidente da CUT-SE, também esteve presente na delegacia para prestar solidariedade:
“Estamos aqui prestando solidariedade ao presidente Igor Baima do Sindiscose, por essa perseguição do presidente do CREA contra um companheiro em sua atuação sindical, lutando por dignidade e respeito aos trabalhadores e por isso ele está sendo perseguido.”
Após prestar depoimento, Igor Baima reafirmou o compromisso do sindicato com a transparência e a fiscalização do uso de recursos públicos:
“Agradeço todo o apoio que recebi das organizações sindicais e do movimento social porque a gente não pode ter medo de exercer a atuação sindical, de fazer o que é certo, e não podemos também dar nenhum passo para trás diante deste tipo de intimidação.”
A Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio e Serviços da CUT (Contracs-CUT) também se manifestou, reforçando que a tentativa de transformar uma atuação sindical legítima em caso policial é um ataque à democracia e à liberdade de organização sindical.
O Sindiscose informou que continuará acompanhando de perto a utilização de recursos públicos nos conselhos de fiscalização profissional em Sergipe, mantendo sua atuação vigilante e em conformidade com as normas legais e regulatórias.
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