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Domingo, 15 de Março 2026

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Maioria da Câmara mantém dois vetos do Executivo ao PPA 2026–2029

Em dezembro de 2025, os parlamentares aprovaram 30 emendas ao projeto.

Maioria da Câmara mantém dois vetos do Executivo ao PPA 2026–2029
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Durante a 8ª Sessão Ordinária, realizada nesta terça-feira (24), a Câmara Municipal apreciou e manteve, por maioria, dois vetos parciais do Poder Executivo ao Plano Plurianual (PPA) 2026–2029 (PL nº 353/2025). O Plano Plurianual (PPA) é o instrumento de planejamento estratégico da administração pública que estabelece, para um período de quatro anos, as diretrizes, objetivos e metas do governo, organizando as prioridades e orientando a aplicação dos recursos públicos em programas e ações. Em dezembro de 2025, os parlamentares aprovaram 30 emendas ao projeto.

Veto ao artigo 22

Entre os pontos vetados está o artigo 22 do PPA, que tratava dos guardas auxiliares. O dispositivo previa que o Poder Executivo concedesse tratamento isonômico e equiparação salarial aos Guardas Auxiliares em relação aos demais agentes da Guarda Municipal. A autoria da emenda foi da vereadora Sônia Meire.

Ao justificar o veto, a Prefeitura argumentou que matérias relacionadas ao regime jurídico e à remuneração de servidores públicos são de iniciativa privativa do chefe do Poder Executivo. Também destacou a ausência de estimativa de impacto financeiro e informou que a questão já teria sido solucionada por meio de lei aprovada em 2025, que instituiu a tabela de vencimentos da categoria. O veto foi mantido por 10 votos favoráveis, cinco contrários — todos da oposição — e uma abstenção.

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Debate em plenário

Autora da proposta, a vereadora Sônia Meire defendeu a manutenção do artigo, afirmando que “a Constituição Federal garante a isonomia salarial para servidores que exercem a mesma função”. A parlamentar também questionou: “Se a Prefeitura reformulou o plano de carreira, por que vetar isso no PPA?”

O vereador Elber Batalha reforçou o argumento da oposição ao declarar que, “se esse aumento no PPA é inconstitucional, a lei que criou o aumento para essas categorias também é”.

Já o vereador Isac Silveira ponderou que o Executivo entende haver vício de iniciativa na emenda. “Fora isso, acredito que a proposta não fere o processo. A emenda fala de isonomia, mas não foi praticada exatamente a isonomia salarial. Isso representa retomar uma discussão já superada entre guardas auxiliares e servidores efetivos, que estão na mesma faixa”, avaliou.

Veto ao artigo 23

A Câmara também apreciou o veto parcial ao artigo 23 do Plano Plurianual (PPA) 2026–2029 (PL nº 353/2025), que tratava da implantação de restaurantes populares. O dispositivo obrigava o Poder Executivo a implementar quatro restaurantes populares em bairros específicos, priorizando regiões com maiores índices de pobreza e insegurança alimentar.

Ao vetar o artigo, o Executivo argumentou que a proposta extrapola a função do PPA, que deve estabelecer diretrizes e metas gerais, e não determinar a execução de obras em locais definidos. Segundo a Prefeitura, ao impor a construção de quatro unidades em bairros específicos, o texto criaria despesa obrigatória, restringindo a capacidade de planejamento técnico e orçamentário da gestão. Além disso, a prefeita informou que já está previsto processo licitatório para a construção de um restaurante popular no bairro Santa Maria, com execução programada para 2026.

Debate em plenário

Autora da emenda, a vereadora Sônia Meire defendeu a derrubada do veto. Segundo ela, o PPA deve definir objetivos e metas para o período de quatro anos, e o combate à insegurança alimentar precisa constar de forma clara no planejamento municipal. “O direito à alimentação é constitucional. O PPA não pode ser um documento vago. Isso não cria gasto imediato, é uma meta de médio e longo prazo. Se a Prefeitura já tem proposta para um restaurante, por que não expandir?”, questionou.

O vereador Camilo Daniel afirmou que o ex-vereador Américo de Deus frequentemente levava à tribuna o tema dos restaurantes populares e a importância de instalá-los em bairros mais carentes. “Em memória a ele, voto pela derrubada do veto”, declarou. Já o vereador Fábio Meireles criticou a mudança de postura da atual prefeita, lembrando que, quando vereadora, ela defendia a pauta. “Quando era vereadora, apoiava o restaurante popular. Agora, veta?”, indagou.

Por outro lado, o vereador Pastor Diego destacou que já está em andamento o processo licitatório para implantação de uma unidade no bairro Santa Maria. “Como integrante da base, entendo que ela já está cumprindo o plano de governo”, afirmou. O vereador Iran Barbosa também questionou o veto: “Se a prefeita tem a intenção de fazer, por que não pode constar na lei?”

O veto foi mantido por 7 votos contrários à derrubada e 4 favoráveis. Estavam presentes 19 vereadores e 11 registraram voto. Como o Regimento exige o mínimo de 14 votos para apreciação válida, o resultado consolidou a manutenção do veto.

Manutenção do Veto total ao PL n° 196/2025

O Poder Executivo enviou um veto total ao projeto de lei nº 196/2025, de autoria da vereadora Selma França, que alterava a Lei Municipal nº 4.092/2011 — responsável por autorizar convênios com federações esportivas e instituir o Programa Bolsa-Atleta Aracaju. A decisão foi formalizada por meio da Mensagem nº 054/2025, enviada à Câmara Municipal no dia 30 de dezembro de 2025.

O PL 196/2025 pretendia modificar alguns artigos da lei vigente, além de criar um Anexo Único, com o objetivo de ampliar o Programa Bolsa-Atleta Aracaju; além de incluir uma nova modalidade de benefício, voltada a técnicos responsáveis pela preparação dos atletas contemplados pelo programa

Segundo a mensagem da prefeita, embora reconheça o mérito da proposta, o projeto apresenta vícios por criar despesas continuadas sem indicar a respectiva fonte de custeio; e por não apresentar estimativa de impacto orçamentário e financeiro, conforme exige o artigo 113 do ADCT (Emenda Constitucional nº 95/2016).

O líder da prefeita na Casa, Isac Silveira, explicou que haveria uma reunião entre a autora do projeto, a vereadora Selma França, e a prefeita de Aracaju, Emília Corrêa, assim como com o secretário de esportes com o objetivo de discutir o projeto e ampliar as modalidades alcançadas. A vereadora Selma confirmou que irá procurar a Secretaria de Esportes para o diálogo. O plenário registrou 13 votos pela manutenção, 03 contrários e uma abstenção.

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