O 6° Congresso Estadual dos Trabalhadores Rurais Agricultores Familiares de Sergipe 'Reconstruindo o território rural sergipano com unidade, democracia e acesso a políticas públicas para quem é da terra criar raízes' aconteceu no Centresir (Centro de Treinamento Sindical Rural), no município de São Cristóvão.
Em dois dias importantes para a luta das trabalhadoras/es do campo e da agricultura familiar de Sergipe, nesta terça e quarta-feira, dias 5 e 6 de dezembro, a atividade de organização sindical engajou mais de 200 lideranças sindicais do campo no Estado de Sergipe em debates fundamentais para os próximos 4 anos.
O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT Sergipe), Roberto Silva, esteve presente na abertura do Congresso e destacou a importância da união dos trabalhadores do campo e da cidade na luta contra a privatização da água e dos serviços de saneamento básico.
"A água afeta diretamente o trabalhador e a trabalhadora rural, por isso precisamos de espaços importantes como este para discutir o enfrentamento a políticas de privatização que estão sendo adotadas pelo governador de Sergipe. Além disso, a CUT e sindicatos de trabalhadores rurais filiados trouxeram propostas efetivas de luta para o campo e estamos à disposição para construir junto à Fetase a luta unificada e conjunta dos trabalhadores e das trabalhadoras do campo de Sergipe", declarou Roberto Silva.
O presidente da CUT reforçou os avanços conquistados pela luta unificada do movimento sindical em Sergipe, desde o golpe de 2016 que retirou a da presidência a primeira presidenta eleita democraticamente pelo povo brasileiro. "Vimos que o golpe resultou em ataques à classe trabalhadora por isso construímos a luta unificada naquele momento e hoje, com os ataques de privatização de Fábio Mitidieri, o cenário político exige a unidade dos trabalhadores para enfrentarmos esta política de ataque e retrocesso do Governo de estado".
Veronica Souza Santos Oliveira, dirigente do Sintraf Lagarto, filiado à CUT/SE, explicou que o Congresso dos Trabalhadores Rurais é um momento muito esperado pelas trabalhadoras e trabalhadores do campo. "Precisamos seguir avançando, reivindicando nossos direitos, lutando por melhorias para a vida de mulheres e homens do campo. E nada de retrocesso. Nada de privatizar a Deso. O acesso à água já é difícil. Eu sou assentada pelo crédito fundiário e ainda não tenho água potável. Imagine com a privatização da água, que é algo essencial para a vida, das pessoas, dos animais, das plantas. É inaceitável", reforçou Verônica.
Dirigente da CUT Sergipe e presidenta do STTR/Poço Verde, Aíres Oliveira ressaltou que é preciso reconstruir um projeto que represente os interesses do homem e da mulher do campo. "Nossa perspectiva é que juntos façamos um movimento combativo e juntos possamos fazer o enfrentamento necessário para assegurar as políticas que fixem o homem e a mulher do campo".
No Congresso também aconteceu a homenagem ao casal de agricultores Maria Balbina e Eduardo Matos que moram no povoado Guedes, no município de Graccho Cardoso. A senhora Maria Balbina já foi presidenta do Sindicato de Trabalhadores Rurais de Graccho Cardoso e é tia de Ivônia Aparecida Ferreira, vice-presidenta do SINTESE e ex-diretora da CUT Sergipe que esteve presente junto com toda a sua família.
Propostas da CUT
Durante o Congresso, a CUT fez a distribuição de um jornal informativo produzido pelos sindicalistas rurais da central. Entre os assuntos abordados, foi divulgada a pauta da CUT para trabalhadores rurais e da agricultura familiar. Confira as reivindicações enviadas pela CUT para o Governo do Estado:
- Que o governo do Estado crie um programa através de projeto de Lei com orçamento próprio para retomada da produção de alimento em tempos pós-pandemia;
- Que o projeto tenha como prioridade a produção, beneficiamento e logística de comercialização levando em conta produtor x consumidor;
- Que o governador volte a distribuir sementes, insumo e equipamentos agrícolas para fortalecer a cadeia produtiva e diminua o custo produção para agricultura familiar;
- Que o estado crie um sistema de armazenamento da produção da agricultura familiar para diminuir o efeito do produtor vender produção pós-colheita e ter que adquirir meses depois com o dobro do preço por não ter onde estocar e evitar proliferação de insetos destruidores do produto;
- Que o estado crie um programa de agroindustrialização para agricultura familiar que leve em conta a aptidão de cada região no beneficiamento e agregação de valor ao produto conectado com comercialização ao consumidor final;
- Que o governo do estado busque sanar os gargalos da venda ao PAA e PNAE chamando os municípios a cooperar com a implantação dos selos de inspeção e todo processo de adequação às normas sanitárias;
- Que o governo crie programa de capacitação no meio rural para jovens e mulheres afim de abrir novos empreendimentos da agricultura familiar oferecendo perspectivas no meio rural garantido a permanência com qualidade de vida nas comunidades rurais;
- Que o governo crie programas de recuperação de atividades que foram financiadas por outros programas financiadas pelo estado e que se encontram paradas, abandonadas pelos grupos que solicitaram redirecionando para grupos que tenham interesse de tocar a atividade;
- Que o governo crie um programa de turismo rural levando em conta os talentos de cada região, comidas típicas, artesanatos e beleza cênica;
- Que o governo desenvolva ações para revitalizar a citricultura da agricultura familiar na região sul do estado de Sergipe;
- Que o governo desenvolva ações de recuperação de solos degradados da agricultura familiar e atualize com ações o plano de combate à desertificação;
- Que o governo amplie e divulgue melhor o programa de melhorias genética de bovinos e amplie para outras cadeias de animais de importância econômica para o estado de Sergipe;
- Que o governo fortaleça a produção agroecológica criando incentivos e premiando os que desenvolvem com o objetivo de produzir alimentos saudáveis e diminuir a dependência de insumos.
Foto assessoria
Por Iracema Corso
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