Seja numa reunião decisiva, numa entrevista ou numa sequência de publicações no LinkedIn, há sempre uma mensagem sendo construída. Existe sempre uma imagem do todo sendo formada - e ela será interpretada, queira você ou não.
Quer comentar um projeto de lei? Tudo certo. Falar da blogueira que se separou? Também. E aquela alta na Selic, gente? Tudo bem. A necessidade de comentar é válida - as redes sociais digitais são uma extensão de nossos espaços de convivência, interação e interatividade. Mas quem deseja usar esses espaços como ferramenta de gestão de marca pessoal ou institucional precisa ir além da espontaneidade. Comentar, sim, mas com direção. Com critério. Amarrando os pontos. É isso que dá unidade ao discurso. Comentar com intenção é diferente de comentar por impulso.
Improvisar? Pode, claro. Mas até o bom improviso nasce de repertório - já falei disso por aqui. O que não dá é pra flertar com o amadorismo e esperar uma comunicação funcional. A pergunta que fica é: como se comunicar em diferentes momentos e cenários, com o máximo de coerência possível, para se fazer entender?
Aplicando estratégias de discurso. Como a curadoria, por exemplo, que é a escolha consciente do que dizer. Escolher o que importa em cada contexto.
Uma boa fala não vem ao despejar tudo o que você pensa ou sabe sobre um tema. Isso é deixar sua comunicação à deriva, sem leme, sem içar vela, torcendo para ser visto. É preciso escolher o que importa em cada contexto. Costurar bem uma fala pública, selecionando ideias e mensagens com base em critérios sólidos. Aí entra a importância de ter uma linha editorial bem definida.
Quem trabalha com marketing já conhece bem o conceito: basicamente, é você criar seus conteúdos a partir de temas e subtemas que fazem sentido para você e para seu público. Mas ela vai muito além do conteúdo. É útil para a comunicação como um todo! Linha editorial é saber o que quer comunicar - e, principalmente, o que não quer. Um recurso que ajuda a manter a coerência entre diferentes momentos. Diante de uma polêmica, qual é a sua real contribuição? Está agregando? Reforçando um posicionamento? Ou só ecoando o barulho? Sem estratégia de discurso e sem linha editorial, o que você deixa é um amontoado de falas, não um discurso. Não um posicionamento estratégico.
No LinkedIn, por exemplo, muitos profissionais publicam com frequência, mas sem fio condutor. O resultado? Uma imagem desalinhada, dispersa, sem clareza nem estratégia. E o mesmo vale para outros contextos: a fala de um porta-voz institucional, o pitch num evento, o cafezinho de networking. Sem curadoria, ou seja, sem escolher estrategicamente o que falar, o que sobra é uma comunicação reativa. E reatividade não sustenta posicionamento.
A curadoria é uma estratégia de discurso que ajuda a entender o que reforçar e o que abandonar em uma fala. Escolher o que dizer com consciência, minha gente, é respeitar quem te ouve - e quem você é.
Vale pras redes sociais, sim. Mas vale, sobretudo, pra vida.
Vou deixar aqui algumas ideias-chave, um resumão mesmo, para você repassar o que eu trouxe de provocação hoje. Tive essa ideia ontem. Me conta o que achou?
Resumão delícia do nosso papo até aqui:
Tudo comunica. Até o que você escolhe não dizer está dizendo algo sobre você. Toda exposição compõe uma imagem - e ela será interpretada.
Comentar com intenção é diferente de comentar por impulso. Especialmente em perfis profissionais, a direção importa mais do que o movimento.
Curadoria é escolha. Escolher o que importa em cada contexto, com base em critérios sólidos, é o que diferencia discurso de ruído.
Linha editorial não é só pra conteúdo. É uma ferramenta estratégica de coerência entre o que você diz em diferentes situações e formatos. Um guia do que faz sentido.
Sem curadoria, o que sobra é reatividade. E reatividade não sustenta posicionamento. Discurso com intenção respeita quem te ouve e quem você é.
Espero que tenha sido uma boa leitura! Fervilhou por aí? Me conte.