No artigo desta semana, compartilho duas Estratégias de Discurso que se entrelaçam: ‘Pessoas’ e ‘Palavras Estratégicas’. Uma vai ajudar você a entender a importância de definir com quem quer falar. A outra é sobre escolher como dizer o que precisa ser dito. Já adianto: escolher palavras é escolher também como se conectar às pessoas. E quanto mais clara a imagem do outro, mais precisa é a palavra que toca, ativa, acolhe ou provoca.
Tudo muda quando você identifica ou escolhe com quem quer se comunicar.
Desde o Método Alicerce, que desenvolvi há alguns anos para ensinar processos de criação de conteúdo, destaco que escolher com quem se quer falar não é excluir outras pessoas, mas sim focar e fortalecer a comunicação com quem você quer como público. Com as “suas pessoas”, como costumo dizer. Quem tem que falar com todo mundo é governo, e ainda assim, um governo com comunicação inteligente faz isso explorando de forma bem estudada cada canal e diversificando as mensagens a depender dos destinatários.
Com quem você está falando? Antes de uma entrevista ou reunião, você traça um panorama de quem está ali? Que palavras você vai usar? E o tom, deve ser mais técnico, mais didático ou mais próximo? Treinar esse olhar para desenvolver uma visão macro é fundamental e influencia em seu posicionamento. Confesso que boa parte das minhas frustrações vem da idealização que faço do outro. Seja nas relações profissionais ou pessoais.
Pensa comigo… Se vou fazer reunião com alguém que interrompe a cada minuto, preciso ajustar meu texto ao cenário. Falas longas e excesso de informações nos slides, por exemplo, só vão corroborar com a dispersão e falta de interesse do interlocutor - e, de quebra, me irritar. Discurso estratégico, seja no púlpito ou numa reunião, vai além de técnica. É sensibilidade com método.
Sobre as palavras estratégicas… Vai fazer uma apresentação? Estude bem a pauta. Analise criticamente se as palavras estão ali para o seu público (às vezes nos posicionamos como se fôssemos falar com o espelho). Vai gravar? Presta atenção também, porque até a contração - ou não - de uma conjunção impacta na fluidez de um discurso. Pega essa orientação que sempre dou aos meus clientes: antes de gravar um vídeo, leia o texto em voz alta. A fala soou natural ou pareceu engessada? Algumas palavras que funcionam bem para alguém podem não fluir para você. O que você realmente quer alcançar com sua fala? Uma mesma palavra pode dar um tom mais leve ou mais pesado, dependendo do contexto. Se você tem alguma limitação na dicção , esses detalhes farão muita diferença.
E outra: bora abolir esse mito de que palavras certas são as mais rebuscadas? Na fala, além de fluir com naturalidade, como eu disse, elas precisam cumprir seu papel no contexto. Um bom discurso, ou seja, aquele que funciona, é moldado pela clareza de quem são as suas pessoas, de qual é o contexto e por que você quer transmitir determinada mensagem. Numa imersão sobre comunicação e posicionamento, eu preciso partilhar com meu público termos técnicos e aprofundar referenciais teóricos? Não. Quem me contrata para alinhar comunicação quer conteúdo prático e aplicável ao seu contexto. Já num bate-papo com outro profissional de comunicação, vale a deixa!
Comunicação estratégica começa com mapeamento - tem a comunicação intuitiva, claro, mas aí é papo para outro momento. E essa comunicação estratégica segue em frente quando se tem, além de análise, disposição para ajustes. Não tem espaço pra ego frágil no universo de quem quer melhorar para se conectar!
Mapear público dá contorno e direção.
Atentar-se às palavras que funcionam melhor dá sentido à mensagem.
E discurso é isso, construção de sentido. Estratégias de discurso são o caminho.
Vamos ao resumão?
1. Tudo muda quando você sabe com quem está falando.
Mapear seu público não é excluir pessoas. É focalizar para fortalecer a comunicação com quem importa. Quanto mais clara a imagem de quem te escuta, mais eficaz e sensível será a sua fala.
2. Palavra estratégica é aquela que funciona no contexto certo.
Não basta soar bonito: tem que fazer sentido, fluir com naturalidade e cumprir um papel. O tom, o vocabulário e até uma contração mal escolhida podem aproximar ou distanciar sua mensagem.
3. Pessoas e palavras caminham juntas numa comunicação consciente.
Escolher palavras é escolher como (e onde) você quer tocar as pessoas - quais pessoas. Discurso estratégico exige sensibilidade, intenção e escuta ativa desde o início.