Nos últimos dias, o mercado financeiro brasileiro tem sido um verdadeiro turbilhão. Desde o dia 2 de abril, quando o presidente Donald Trump assinou a ordem executiva que impôs um tarifaço brutal sobre as importações – marcando o início de um cenário de proteção extrema – o Ibovespa acumulou perdas de cerca de 3%.
Para se ter uma ideia, em 27 de março o principal índice da B3 estava em 133.149 pontos – o melhor resultado de 2025 até aqui – mas na sexta-feira, 4 de abril, ele encerrou o dia em queda de 2,96%, caindo para 127.256 pontos, o que representa uma perda acumulada de 4,4%. Nesta manhã de 7 de abril, o índice abriu em forte queda e, até as 11h20, já havia recuado 2,7% em relação ao fechamento de sexta.
Pouco antes do almoço, numa reviravolta digna de filme, o Ibovespa teve uma alta relâmpago de quase 1% em poucos minutos. Tudo parecia depender de um boato de que Trump poderia pausar as tarifas recíprocas para negociar concessões dos países afetados – um rumor que, no entanto, foi rapidamente desmentido pela Casa Branca, que reafirmou a vigência dos tarifários.
Essa montanha-russa de emoções fez com que os índices tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos começassem a devolver a alta, mas os analistas técnicos não estão para brincadeira. De acordo com o relatório divulgado pelo analista da XP Investimentos, Gilberto Coelho, o próximo suporte para o Ibovespa está na região dos 122.500 pontos. Se esse suporte for rompido, o índice pode despencar ainda mais – até os 119.000 pontos, segundo a análise.
Já a equipe de grafistas da Ágora Investimentos não vê barreiras na região dos 122.000 pontos, apontando o próximo suporte consolidado em 118.500 pontos. Para eles, se esse nível for perdido, estamos diante de uma tendência de baixa de médio a longo prazo, com potencial busca pela marca dos 100.000 pontos.
Essa reviravolta tem tudo a ver com o contexto global. Desde que Trump assumiu seu segundo mandato em janeiro, os mercados reagem ao seu crescente protecionismo. Em 2 de abril, a assinatura da ordem executiva foi o estopim para que o Brasil, a China, a União Europeia e outros parceiros comerciais fossem taxados de forma agressiva – o Brasil em 10%, enquanto a China foi penalizada com 34% e a UE com 20%.
A mínima alíquota de 10% já entrou em vigor em 5 de abril, e novas tarifas mais duras para a China e outros países começarão a valer a partir de 9 de abril. Além disso, um relatório do Goldman Sachs elevou as chances de recessão nos EUA para 45% nos próximos 12 meses, comparado aos 35% anteriores, aumentando a incerteza nos mercados globais.
Mas não é só o mercado financeiro que está fervendo. Em Sergipe, os desafios se desdobram de forma bem particular. A economia local, que historicamente acompanha as tendências nacionais, enfrenta seus próprios dilemas. Enquanto os grandes centros desfrutam do sobe e desce dos índices, os empresários sergipanos ainda aguardam por medidas concretas que possam impulsionar a economia regional – seja através de incentivos fiscais, desburocratização ou investimentos em infraestrutura.
E por falar em economia sergipana, alguns dados recentes trazem à tona uma realidade bem diversificada:
Quem é que manda no dinheiro sergipano?
Aracaju ainda lidera o PIB de Sergipe, mas vem perdendo terreno para cidades como Canindé de São Francisco e Itabaiana. Em 2018, só 10 municípios concentraram 71,8% das riquezas do estado. Enquanto uns sobem no ranking, como Nossa Senhora da Glória, outros como Simão Dias somem do mapa da grana. A economia sergipana caiu 1,8% no ano, com a agropecuária despencando mais de 27%.
Petróleo em queda, mas Sergipe ainda respira petróleo em terra
Em fevereiro, Sergipe produziu 11,2 mil barris/dia, quase tudo em terra firme. Apesar da queda de 7% no mês, a alta anual foi de 26,9%. A produção no mar despencou 71%. Já o gás natural caiu 18% no mês, mas resistiu no comparativo anual.
Sergipe vira potência leiteira e abate recordes no Nordeste
Com alta de 22,6%, Sergipe lidera o crescimento na produção de leite na região e já é o 5º no Brasil. O crédito do Agroamigo impulsiona histórias de sucesso no campo. Em paralelo, o estado também dispara no abate de bovinos, com 30,3% de alta. A agropecuária sergipana mostra força e fôlego.
Sergipe acelera: cresce venda de veículos e motos em março
As vendas de veículos novos em Sergipe chegaram a 1.416 unidades em março, alta de 6,8% em relação a 2024. Caminhões dispararam (+34,6%), enquanto ônibus frearam (-56,8%). No embalo, motos e afins somaram 2.602 unidades vendidas, com avanço de 7,8%. O mercado automotivo segue em ritmo de subida no estado.
Consignado em alta: trabalhadores de SE contratam R$ 25,4 milhões em crédito barato
Sergipe já soma mais de 4,2 mil contratos no novo consignado da Carteira de Trabalho Digital, com média de R$ 5.979 por empréstimo. A iniciativa, que promete juros menores, movimentou R$ 25,4 milhões no estado em menos de 15 dias. No Brasil, já são R$ 3,3 bilhões liberados desde 21 de março.
GO Sergipe facilita acesso ao emprego sem sair de casa
Mais de 5 mil pessoas e 100 empresas já usam a plataforma GO Sergipe, criada pelo Governo do Estado para conectar trabalhadores a vagas formais. Até agora, já foram ofertadas mais de 900 oportunidades, com destaque para Aracaju, Itabaiana, Lagarto e Barra dos Coqueiros. O cadastro é feito online, pelo site do GO Sergipe, com login Gov.br. Quem preferir pode procurar atendimento presencial no NAT, de segunda a sexta, das 7h às 13h.
Escala 6×1 é defendida por empresários em evento em Aracaju
Durante o Debates Empresariais, promovido pelo Sistema Fecomércio-SE, o presidente da Fecomércio-SP, Ivo Dall’Acqua, criticou a proposta de mudança na jornada de trabalho para quatro dias com três de descanso. Para ele, a PEC ignora impactos econômicos e eleva os custos das microempresas. O senador Laércio Oliveira e o advogado Gustavo Andrade também se posicionaram contra a mudança, apontando riscos à produtividade e ao emprego formal. O evento reuniu empresários, representantes sindicais e políticos no Hotel Sesc Atalaia.
De resíduo a solução
Pesquisas em Sergipe transformam a casca do coco verde em biocarvão e biocombustível. As inovações reduzem o descarte urbano e oferecem alternativas sustentáveis para a agricultura e a energia. O estado ganha protagonismo na economia circular e mira o mercado nacional com soluções de baixo custo e alto impacto.
ATR sobe, etanol escorrega
Em março, o ATR em AL e SE avançou 2,3%, mas só o açúcar segurou a bronca. O etanol despencou e azedou o mix. A tonelada da cana padrão bateu R$ 167,16. O produtor sorri de um lado e fecha a cara do outro.