Depois de dois meses publicando uma série de artigos sobre Estratégia de Discurso (“ED”), este texto fecha o ciclo trazendo um panorama geral: o que é ED, para quem serve, onde e como aplicar e por que tudo isso importa.
No universo tradicional da assessoria de comunicação (de onde vem grande parte da minha experiência), pensar e estruturar ideias já é um hábito. Mas aqui a proposta é outra: consolidar esse pensamento como uma metodologia viva, aplicada à construção do discurso. Um caminho que une sensibilidade com método.
Eu quero que você perceba que uma boa comunicação, ou seja, uma comunicação que é funcional e que busca conexão, não se restringe a técnicas de oratória - nem tenho experiência nisso. Lembre também que, quando me refiro a discurso, não estou me limitando à fala pública em um palco ou palanque. Discurso é mensagem, é a informação traduzida em palavras estratégicas e com sentido. Um caminho estruturado, repetível e replicável.
Dito isso, podemos definir a ED é como uma metodologia de construção de sentido a partir da clareza e da organização das ideias. Metodologia que é dinâmica, pois exige ajustes conforme o contexto e a dedicação de quem aplica. Perceba: construção, costura, fazer junto, fazer do seu jeito, com seu alicerce, seu contexto e seu horizonte. ED não é uma invenção, nem uma receita pronta e acabada. Não é algo que se oferece numa prateleira e você exibe por aí. Parecer é tentador, nós sabemos, mas sustentar é essencial. E é de essência que a gente vive e se relaciona. É com essência que a gente se conecta.
ED não é uma preocupação exclusiva de quem busca votos ou lidera corporações. Não é luxo de político ou gestor. É para o colega de trabalho que tem dificuldade de otimizar mensagens ou que quase sempre soa grosseiro simplesmente por não saber fazer uso de palavras estratégicas. É para o gestor que faz reuniões e apresentações maçantes porque não amplia seu repertório e não tem consciência de suas ideias centrais. Para o criador de conteúdo que perde 10 segundos de um vídeo curto para dizer que estava sumido e voltou e queria muito contar algo extremamente importante e que todos vão gostar - arquitetura da mensagem salva. É para qualquer pessoa que queira se comunicar de forma consciente e consistente.
Ao longo dos artigos, citei estratégias que utilizo já há alguns bons anos e que, ao dar nome e forma, percebi que podem ser facilmente aplicadas em reuniões, entrevistas, vídeos, discursos, palestras e até no cafezinho de networking.
Com alicerce, você tem um bom ponto de partida em qualquer situação. Com curadoria, você sabe o que importa e escolhe o que sustenta seu argumento. Com a arquitetura da mensagem, você organiza suas ideias de acordo com a relevância de cada ponto para seu público. Com mensagens-chave, você reforça o que não pode passar despercebido. Com criação por associação, você transforma vivência em repertório estratégico. Percebendo quem são as pessoas com quem quer se comunicar, você faz uma boa leitura de contexto e ajusta melhor seu discurso. E com palavras estratégicas, você transmite sua mensagem com mais precisão, sensibilidade e intenção.
Se você leu até aqui, já entendeu que comunicação é construção. A metodologia que partilho é um caminho (de chão firme) para alinhar voz e intenção. Não garante perfeição (graças a Deus!). Até porque perfeição, convenhamos, é uma palavra que não cabe na comunicação - ela nunca é algo já acabado. Se contextos mudam, os alinhamentos serão sempre necessários. É nesse processo vivo que mora a potência da Estratégia do Discurso.