O artigo de lançamento do método ED reverberou bem, então pensei: por que não destrinchar aqui um pouco algumas das estratégias de discurso que venho aplicando ao longo dos últimos anos? São estratégias que funcionam em contextos diversos: numa reunião institucional, na estruturação de palestras, em entrevistas e até naquele momento tão superestimado - mas tantas vezes mal aproveitado - do cafezinho de networking.
Listei sete estratégias aqui. Espero que seja uma leitura prazerosa e útil para você.
Útil mesmo, de fazer pensar.
1 - Alicerce
Defendo que sem base, discurso algum se sustenta.
O “por que” vem antes do “como”.
Lembra que contei pra vocês que preciso entender o todo para escrever sobre uma parte? É assim com a ED na prática. Se está bem claro o propósito de uma reunião e os pontos que você precisa abordar, mesmo com as interrupções e intercorrências, é possível retomar cada pauta de onde foi interrompida para destravá-la. Resultado provável: uma reunião útil de verdade e, ao final, o sentimento de que valeu a pena ter participado. Alicerce é a base. Quando você entende o porquê de determinado assunto e conhece suas possíveis nuances, ganha mais segurança para se comunicar sem precisar “decorar”.
2 - Pessoas
Tudo muda quando você identifica ou escolhe com quem quer se comunicar. Desde o Método Alicerce, que desenvolvi há alguns anos para ensinar processos de criação de conteúdo, destaco que segmentar não é excluir, mas sim fortalecer a comunicação com as pessoas que importam. Com quem você está falando? Antes de uma entrevista ou reunião, você traça um panorama de quem está ali? Que palavras você vai usar? E o tom, será mais técnico, mais didático ou mais próximo? Treinar esse olhar para desenvolver uma visão macro é fundamental e influencia em seu posicionamento.
3 - Criar por associação
Se eu estou sempre atenta às pautas ligadas a discurso, é comum - e posso dizer, intuitivo - que eu desenvolva ideias de acordo com os estímulos externos. Exemplo: numa situação de mau atendimento em uma cafeteria, meu olhar já está treinado para perceber como aquela pessoa poderia ter conduzido a situação de maneira diferente e até mesmo como eu poderia ter reagido de outro modo. A partir dessa experiência e, principalmente, depois de refletir sobre ela, é natural que eu consiga criar algum conteúdo ou puxar algum assunto relacionado em uma roda de conversa. Estou criando por associação, ou seja, a partir de elementos que já conhecia, aliados a fatos novos. É uma forma de transformar acontecimentos corriqueiros em repertório. E ampliação de repertório, sabemos, é um dos pilares de uma comunicação segura e consciente.
4 - Curadoria
Eu tenho um carinho especial por essa estratégia. Coletar informações e fazer brainstorming são etapas importantes em qualquer processo de criação, mas escolher o que realmente importa para cada contexto é essencial. Inclusive, aproveito a deixa para indicar uma leitura riquíssima: A Era da Curadoria, de Mario Sergio Cortella. Volto ao Método Alicerce para endossar a relevância dessa estratégia: crie seu banco de ideias. Escreva seus pensamentos, ainda que não trabalhe nos possíveis desdobramentos naquele momento. Uma hora você precisará escolher - com critérios bem embasados - algum deles. Isso é curadoria.
5 - Palavras estratégicas
Vou direto ao exemplo de fala em vídeo. Até a contração - ou não - de uma conjunção impacta na fluidez de um discurso. Pega essa orientação que sempre dou aos meus clientes: antes de gravar, leia o texto em voz alta. Soou natural a fala? Ou pareceu engessada? Algumas palavras que funcionam bem para alguém podem não fluir para você. O que você realmente quer alcançar com sua fala? Uma mesma palavra pode dar um tom mais leve ou mais pesado, dependendo do contexto.
6 - Mensagens-chave
Qualquer que seja seu discurso (e quando eu digo discurso, já está claro que não se limita a palanques, certo?), existe no mínimo uma ideia principal. Você precisa ter uma boa noção de qual é essa ideia para estruturar uma mensagem-chave. Uma, duas, três ou mais, a lógica é a mesma: precisa servir de base para o desdobramento da ideia. Mensagem-chave é aquela que você consegue explicar de formas diferentes, mantendo o sentido e sustentando seu discurso.
7 - Arquitetura da mensagem
A ordem dos fatores só não altera o produto em equações matemáticas. A importância de estruturar as ideias conforme o peso de cada informação fica mais perceptível quando escrevemos um roteiro para vídeo, por exemplo. O que vem primeiro? Esta palavra caiu bem aqui mesmo? E como repetir uma informação de forma contextualizada? Perceba que são perguntas que cabem bem em outros cenários. É importante visualizar, literalmente, a posição das mensagens - como ilhas.
Um caminho se faz ao caminhar
Se “Estratégia de Discurso” é o método ou o plano para uma comunicação clara e assertiva, então “estratégias de discurso” são as ferramentas desse método, os elementos desse plano para uma conexão com sentido e propósito. Aqui eu listei as que uso com mais frequência. Há outras. E, claro, você deve ter seus próprios “ingredientes” e fazer sua própria “receita”. É como diz o poeta espanhol Antonio Machado: “Caminante, no hay camino, se hace camino al andar.” (Caminhante, não há caminho, o caminho se faz ao caminhar).
E aí, fervilhou? Quero saber! Estou com planos de lançar uma série de casos reais comentados, mostrando a aplicação prática dessas e de outras estratégias de discurso.