Dia desses recebi uma pessoa interessada em oferecer uma palestra para a instituição que assessoro. Ela chegou falando de tudo um pouco, sem foco. Quando perguntei quais temas ela abordava, a resposta foi: “Todos!”.
A insegurança era evidente. Ela disse que estava seguindo o conselho de alguém que a orientou a procurar uma empresa séria e com credibilidade para conseguir um atestado de capacidade técnica para suas palestras e serviços. Em dado momento, ela até pediu para confirmar o nome da própria instituição. Ou seja: não sabia onde estava ou mesmo dizer o que queria de fato. Mais de uma vez, sugeriu temáticas muito abertas que não se ajustavam ao público da instituição.
Esse tipo de situação é uma boa oportunidade para aplicar algumas das práticas da Estratégia de Discurso. Mas aqui, vou destacar só uma: Alicerce. Como o nome sugere, é a base de tudo: saber o que você quer comunicar e por que aquilo importa. Bastaria ter feito uma pesquisa simples sobre a instituição e, claro, ter uma boa noção do que ela mesma, enquanto profissional, tinha para oferecer.
Como eu apresentaria a proposta? Mais ou menos assim (depois dos cumprimentos e breve apresentação):
“Então, Tainah, eu vi que a instituição atende ao público tal e costuma oferecer palestras sobre as temáticas x e y. Eu trabalho na área z, que pode dialogar com o público da instituição (repetindo o nome mesmo) nesses pontos aqui (e citaria os pontos). Tenho algumas temáticas bem interessantes dentro desses contextos, e podemos ajustar a abordagem para deixá-las ainda mais próximas do universo da instituição, a partir das necessidades de vocês.”
Sei que numa conversa temos intervenções, dúvidas, reticências. Não é tão objetiva quanto um e-mail, mas pode ser assertiva. Perceba: eu mostrei que tinha uma boa noção da instituição (pesquisa básica) e já quebrei a objeção das temáticas distantes. Isso sem contar os detalhes básicos como chamar pelo nome, contextualizar, sugerir ao invés de impor.
Se surgisse dúvida em algum ponto, eu perguntaria: “Tainah, quanto a tal ponto, pode me explicar como funciona aqui?” Fingir que sabe é sempre ruim. Sei porque já fiz isso. Meu discurso não é estruturado apenas com base em acertos. Ao contrário, aprendo muito com meus erros e vou fazendo ajustes constantemente em minha estratégia de discurso. Alguns desses aprendizados vêm com a experiência, mas muitos outros vêm da antecipação, isto é, do bom senso, da simples prática de me perguntar: qual é o alicerce do meu discurso?
Se essa pessoa tivesse feito isso, a conversa teria outro rumo, certo? E o melhor: não é difícil. É treinável. Quase tudo tem um lado bom - e essa “reunião que poderia ser um e-mail” serviu como lembrete prático de que comunicar bem exige mais do que coragem para falar. Exige estratégia. Exige Estratégia de Discurso.