O governo de Donald Trump tinha conhecimento de que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) estava sob uma ordem judicial para entregar seus passaportes, mas decidiu permitir sua entrada nos Estados Unidos. A informação foi revelada pela CNN nesta terça-feira (27), após o senador deixar o Brasil em meio a investigações criminais e à repercussão de sua derrota na disputa presidencial.
Um assessor de Trump relatou à emissora que autoridades americanas foram informadas, ainda na segunda-feira (26), sobre o prazo de 24 horas estabelecido pela Justiça brasileira. Apesar disso, Flávio recebeu a garantia de que poderia ingressar em território americano. Outros dois integrantes do governo dos Estados Unidos também confirmaram à CNN a emissão de vistos para o senador e seus familiares.
A movimentação ocorreu enquanto a Polícia Federal tentava impedir uma possível saída do parlamentar do Brasil. Por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio deveria entregar seus documentos de viagem até as 11h desta terça-feira. Como a ordem não foi cumprida, os passaportes comum e diplomático foram cancelados.
Viagem cercada de dúvidas
Uma fonte com conhecimento da situação informou à CNN que Flávio Bolsonaro chegou aos Estados Unidos na tarde desta terça-feira, acompanhado da esposa e das filhas. O aeroporto de desembarque não foi identificado, assim como não há confirmação de contato direto entre o senador e Donald Trump antes da viagem.
A Polícia Federal chegou a procurar autoridades argentinas para verificar informações sobre uma possível passagem de Flávio pelo país vizinho. O governo argentino, entretanto, informou não ter encontrado registros oficiais de sua entrada.
As circunstâncias do deslocamento permanecem sem esclarecimento público. Também não foi informado qual documento teria sido utilizado pelo senador para ingressar nos Estados Unidos.
Investigações e reação de Lula
Flávio Bolsonaro é investigado por suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Segundo uma fonte brasileira próxima ao parlamentar, ouvida pela CNN, o receio de uma eventual prisão teria influenciado sua decisão de deixar o país.
A determinação de entrega dos passaportes ocorreu após a derrota do senador para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no segundo turno das eleições, realizado no domingo (25). A Justiça também considerou declarações de Eduardo Bolsonaro, que havia defendido a possibilidade de o irmão deixar o Brasil caso perdesse a disputa.
Durante a comemoração de seus 81 anos, no Palácio da Alvorada, Lula criticou a saída do adversário e afirmou que o senador deveria ter respeitado a decisão judicial.
“Quando pediram meu passaporte, eu entreguei. E ele deveria ter entregado”, declarou o presidente, ao recordar que permaneceu no Brasil durante as investigações da Operação Lava Jato.
Lula também questionou a atitude do adversário e acusou o governo americano, plataformas digitais e setores do mercado financeiro de terem atuado contra sua reeleição.
Relação entre Brasil e Estados Unidos
A autorização concedida pelo governo Trump coloca Washington no centro de uma situação que envolve decisões da Justiça brasileira e investigações ainda em andamento.
Embora um país tenha autonomia para decidir sobre a entrada de estrangeiros em seu território, essa autorização não elimina eventuais obrigações judiciais existentes no país de origem.
Até o momento, não há confirmação de que Flávio Bolsonaro tenha solicitado asilo político ou recebido alguma condição especial de permanência nos Estados Unidos.
O caso ocorre em um momento de tensão política após a eleição presidencial e poderá exigir novos contatos entre autoridades brasileiras e americanas para esclarecer as condições da viagem e seus possíveis desdobramentos legais.
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