O Supremo Tribunal Federal (STF) está prestes a impor uma dura condenação à deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), acusada de perseguição armada a um jornalista durante um episódio que chocou o país. Por unanimidade, três ministros já votaram pela condenação da parlamentar por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, com o uso de uma arma de fogo para intimidar a vítima.
A deputada, que parecia estar acima da lei, pode ser sentenciada a 5 anos e 3 meses de prisão, além de uma multa de 80 dias-multa, com a perda do mandato quando o caso transitar em julgado. O julgamento, que começou virtualmente nesta sexta-feira (21), já conta com os votos favoráveis dos ministros Gilmar Mendes, Cármen Lúcia e Alexandre de Moraes, com um claro recado: nada justifica o uso de violência armada para resolver desavenças pessoais.
O episódio, ocorrido em outubro de 2022 nas ruas de São Paulo, revelou a faceta mais brutal da deputada, que perseguiu o jornalista Luan Araújo com uma arma em punho. A situação ficou ainda mais tensa quando ela forçou a vítima a se deitar no chão sob a mira de sua pistola, tudo por conta de uma simples discussão política. Em uma padaria, sob o olhar atônito de testemunhas, Zambelli demonstrou um comportamento completamente desproporcional e agressivo.
O voto de Gilmar Mendes, seguido pelos demais ministros, foi contundente. Ele reafirma que, em casos como esse, a perda do mandato de um parlamentar condenado é inevitável, uma vez que a condenação criminal resulta nesse efeito, independentemente da pena aplicada. Além disso, Zambelli perderia definitivamente sua autorização de porte de arma, e a pistola apreendida seria entregue ao Comando do Exército.
Tudo começou quando, em agosto de 2023, a Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou Zambelli ao STF. A deputada, que deveria servir como exemplo de respeito às leis, protagonizou um espetáculo de intimidação em público, ao perseguir um jornalista com sua arma, apenas porque ele expressava opiniões políticas contrárias à sua.
A defesa de Zambelli, que tem tentado a todo custo reverter a situação, alegou cerceamento do direito de defesa, já que o julgamento ocorre no formato virtual. No entanto, sua tentativa de defesa foi minada pelos vídeos que mostraram toda a violência do ato, tornando a narrativa de Zambelli insustentável.
Enquanto o STF segue com seu julgamento virtual, onde os ministros inserem seus votos no sistema eletrônico, as imagens de Zambelli armada continuam sendo um símbolo de abuso de poder e intolerância. A decisão final, que acontecerá até o dia 28 de março, pode selar não apenas o destino de Zambelli, mas também um recado claro a todos os políticos: nenhuma violência será tolerada, especialmente quando envolvem abusos com armas de fogo.