A Polícia Civil de Goiás está investigando os influencers Igor de Oliveira Viana, de 24 anos, e Ana Vitória Alves dos Santos, conhecida como Ana de Santi, de 22, por supostos crimes cometidos contra a filha de 2 anos, que tem paralisia cerebral. A família reside em Anápolis, a aproximadamente 55 km da capital goiana.
Investigações e acusações
Conforme a delegada Aline Lopes, responsável pelo caso, Igor é suspeito de pelo menos cinco crimes. Ana Vitória, por sua vez, é investigada diretamente por um desses crimes e por outros quatro na modalidade de omissão. Os crimes investigados são:
- Maus-tratos;
- Constrangimento a criança;
- Incitação à discriminação contra pessoa com deficiência;
- Estelionato;
- Desvio de proventos da pessoa com deficiência.
Maus-tratos e constrangimento
As investigações começaram após denúncias sobre a negligência no cuidado da criança e condições inadequadas de higiene na residência. Segundo o Código Penal, maus-tratos podem resultar em detenção de 2 meses a 1 ano ou multa, com penas aumentadas para 1 a 4 anos se houver lesão corporal grave.
Igor é também acusado de causar constrangimento à filha ao postar vídeos nas redes sociais onde debochava da criança. Em um desses vídeos, ele chamou a filha de "inútil" após pedir que ela fosse ao mercado. A pena para esse crime pode ser de detenção de seis meses a dois anos.
Discriminação e estelionato
As ações de Igor também são vistas como incitação à discriminação contra pessoas com deficiência. A Lei Brasileira da Inclusão (LBI) prevê penas de 1 a 3 meses de reclusão e multa para incitação à discriminação, com aumento de pena se o crime for cometido através de meios de comunicação.
Igor é ainda acusado de estelionato por solicitar doações para o tratamento da filha e usar o dinheiro para outros fins. Ele teria referido-se aos seguidores que doaram dinheiro como "trouxas", afirmando não ser obrigado a gastar o dinheiro exclusivamente para a filha. O crime de estelionato pode resultar em prisão de 1 a 5 anos.
Desvio de proventos
Além de estelionato, Igor é investigado por desvio de proventos da pessoa com deficiência, um crime que pode resultar em penas de 1 a 4 anos de prisão e multa. A delegada Aline Lopes explicou que os influenciadores teriam se apropriado do dinheiro arrecadado para a filha e usado em benefício próprio, incluindo uma suposta cirurgia plástica feita por Ana Vitória.
Defesa dos acusados
A defesa de Ana Vitória alegou sua inocência e informou que ela já se apresentou à Delegacia de Proteção à Criança e Adolescente (DPCA) para prestar esclarecimentos. A defesa de Igor também afirmou que ele está à disposição da polícia e que se apresentará espontaneamente para colaborar com a investigação.
Contexto legal e penal
Os crimes em questão variam em gravidade e implicam diferentes penas, de detenção curta a reclusão prolongada, dependendo das circunstâncias agravantes. As investigações seguem em sigilo, e as autoridades trabalham para esclarecer todos os aspectos das acusações.
A situação coloca em evidência a exploração de imagem de crianças e pessoas com deficiência por influencers, levantando questões éticas e legais sobre o uso das redes sociais para arrecadação de fundos e exposição pública.