Na manhã desta quinta-feira (17), a Polícia Federal e o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (GAECO), de Campinas, desencadearam a Operação Ladinos com o objetivo de desarticular uma organização criminosa envolvida em roubo de cargas, tráfico de drogas, crimes violentos e lavagem de dinheiro. A quadrilha atuava em diversos estados do país, especialmente nas regiões Sudeste e Nordeste.
A ação, que mobilizou forças policiais em seis estados, resultou no cumprimento de 19 mandados de prisão temporária e 21 mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Sergipe, Bahia, Pernambuco e Alagoas. As ordens judiciais foram expedidas pela 6ª Vara Criminal da Comarca de Campinas, em São Paulo. Além das prisões e buscas, houve o sequestro de bens e valores associados à organização, totalizando R$ 382 milhões.
Atuação em Sergipe
Em Sergipe, quatro mandados de prisão temporária foram cumpridos, sendo dois na capital, Aracaju, um em São Cristóvão e outro em Itabaiana.
Os alvos foram dois homens e duas mulheres, todos suspeitos de envolvimento com a organização criminosa.
Investigação e origem da operação
As investigações tiveram início em 2022, quando surgiram informações sobre o líder da organização criminosa, que estava envolvido no roubo de cargas na região de Campinas, com especial foco em defensivos agrícolas que eram revendidos em Minas Gerais. Ele já havia sido investigado por crimes violentos no Nordeste, no âmbito da Operação Valquíria, deflagrada pela Polícia Civil de Sergipe em 2013, além de ser o mandante de um homicídio ocorrido em Ribeirão Preto, São Paulo, em março de 2022.
Após meses de investigações, o líder foi localizado em um condomínio de luxo em Campinas, utilizando identidades falsas e trocando frequentemente de endereço para evitar a captura. Ele foi preso em flagrante em junho de 2022, quando dirigia uma picape comprada com dinheiro em espécie e estava de posse de uma arma de fogo ilegal. Na residência, a polícia encontrou documentos falsos, um jammer (dispositivo usado para bloquear sinais de comunicação), aparelhos eletrônicos, além de veículos utilizados pela organização.
Dois núcleos criminosos
Com base nas apreensões, as autoridades desmantelaram a estrutura da organização criminosa, que operava em dois núcleos distintos. O primeiro grupo era responsável por crimes violentos, incluindo homicídios e roubos de cargas e instituições financeiras, especialmente na região de Campinas. O segundo núcleo estava envolvido no tráfico de drogas, receptação de mercadorias roubadas e lavagem de dinheiro.
A quadrilha utilizava uma rede de empresas de fachada, identidades falsas e movimentações financeiras fracionadas para ocultar os lucros obtidos com suas atividades criminosas, movimentando centenas de milhões de reais.
Os membros da organização já respondem a diversos processos criminais, e nesta nova investigação são acusados de integrar uma organização criminosa e praticar ocultação de capitais, crimes cujas penas podem chegar a 28 anos de prisão.