Na tarde de sexta-feira (8/11), o empresário Antônio Vinicius Lopes Gritzbach, de 38 anos, foi morto com um tiro de fuzil no rosto na área de desembarque do Terminal 2 do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. Ele estava chegando de uma viagem a Goiás acompanhado de sua namorada. Câmeras de segurança capturaram o momento em que homens armados saíram de um carro preto e o executaram. A violência foi presenciada pelo filho de Gritzbach, que havia ido buscá-lo com o apoio de quatro seguranças, todos policiais militares; dois desses seguranças foram baleados no atentado.
Gritzbach, conhecido por suas atividades com criptomoedas e investimentos milionários, havia firmado, em 2024, um acordo de delação premiada com o Ministério Público de São Paulo (MPSP), homologado pela Justiça. Em seu testemunho, ele detalhou seu envolvimento em operações financeiras ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC), incluindo transações com figuras como Anselmo Santa Fausta, o "Cara Preta", e Claudio Marcos de Almeida, o "Django". Ambos, segundo a investigação, possuíam negócios com Gritzbach, sendo sócios da empresa de ônibus UpBus, que opera na zona leste de São Paulo e recentemente sofreu intervenção da prefeitura após acusações de conexão com a facção.
O empresário já havia relatado anteriormente o medo de represálias, especialmente após ser apontado como mandante das mortes de Cara Preta, ex-integrante do alto escalão do PCC, e seu motorista, Antônio Corona Neto, o "Sem Sangue". Acredita-se que essas mortes foram motivadas por uma disputa financeira envolvendo investimentos em bitcoins. Antes de sua colaboração com o MPSP, Gritzbach afirmou ter conhecido Cara Preta e Django como bicheiros e empresários do meio esportivo, negando, no entanto, ser o mandante dos homicídios.
Após a morte de Cara Preta em dezembro de 2021, Gritzbach relatou ter sido chamado a um local no bairro Tatuapé, onde foi ameaçado e obrigado a pagar uma dívida. Na ocasião, conseguiu resgatar R$ 27 milhões em criptomoedas, porém relatou que uma chave de bitcoins de US$ 100 milhões teria sido retida pelo agente de jogadores Danilo Lima de Oliveira, apelidado de Tripa e próximo de Django. Além disso, uma Ferrari do empresário foi levada como parte do pagamento da dívida.
Seu depoimento ao MPSP incluiu evidências de lavagem de dinheiro envolvendo imóveis no Tatuapé, avaliados em mais de R$ 30 milhões e adquiridos em nome de parentes, como seu tio e primo, utilizados para ocultar recursos da facção. Ele ainda relatou que documentos e valores foram levados de sua imobiliária durante uma invasão por indivíduos armados, e que se manteve recluso por 21 dias por temer pela própria vida, diante das ameaças do “tribunal do crime” do PCC.
A vida de Gritzbach tornou-se ainda mais conturbada após uma tentativa de atentado em dezembro do ano passado, quando estava na sacada de seu apartamento no bairro Anália Franco, zona leste da capital paulista. Ele estava fora da prisão desde junho, amparado pelo acordo de delação, mas continuava sendo alvo das ações do PCC.