Recentemente, li um artigo de um servidor da UFS de nome José Firmo, no qual ele defende a participação dos terceirizados em eleições para reitor.
Como servidor terceirizado da UFS, expresso aqui minha preocupação com está partipação.
É importante lembrar que temos em Sergipe políticos donos de empresas terceirizadas de trabalhadores e articulam perdas de direitos dos trabalhadores. Seria isso uma contradição dos trabalhadores? É sabido que parte da base de seus votos está nos seus ''colaboradores", como gostam de chamar. Por que os trabalhadores votam em patrões que tiram seus direitos? Porque precisam do seu emprego! Será que o Sr. Firmo não sabe que os patrões têm nossos endereços e da nossas família, e que controlam onde votamos? Sim, meu caro, precisamos colocar comida na mesa de nossas famílias.
Uma das maiores conquistas dos trabalhadores públicos foi dada na constituição de 1988, quando foi aprovada a estabilidade dos servidores públicos. Uma conquista histórica. Com a estabilidade os servidores têm a condição de dar publicamente e mesmo defender suas opiniões políticas, independente de seus superiores. Não é a toa que os servidores públicos são chamados de radicais por parte da classe política que não aceita que os trabalhadores possam ter livre pensamento. Portanto, o Sr. Firmo pode numa eleição para reitor defender um candidato da situação, ou mesmo um candidato de oposição, sem medo de perder o emprego. Nós terceirizados não podemos fazer o mesmo por razões óbvias.
Para terminar, gostaria de lembrar uma situação que ocorreu na UFS há cerca de dez anos atrás. Os vigilantes terceirizados estavam há mais de um mês com salários atrasados e resolveram, por desespero, fazer um protesto na entrada da UFS. O que aconteceu? Vários colegas foram sumariamente demitidos. Foram feitos protestos pelo Sintufs, sindicato dos trabalhadores públicos da UFS, a própria reitoria da época pediu o retorno dos trabalhadores demitidos. Nada adiantou. E pior, como se sabe, os donos das empresas terceirizadas de trabalhadores têm fortes conexões e desde então, vários dos colegas demitidos foram 'marcados' pelas empresas e nunca mais foram contratados por nenhuma empresa.
Um simples protesto de quem estava passando necessidade. Portanto, Sr. Firmo, não quero votar para reitor, pois não faço parte de trabalhadores públicos estáveis, faço parte de trabalhadores precarizado, posso perder meu emprego e nunca mais ser contratado por outra empresa, simplesmente por usar uma camisa de uma candidatura que acredito ser a melhor para o futuro de nossa universidade.
Ulisses Vargas
(Pseudônimo por motivos óbvios)
Trabalhador terceirizado da UFS