Um relatório de inteligência financeira (RIF) do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) revelou que uma das empresas do cantor Gusttavo Lima, a GSA Empreendimentos e Participações, recebeu R$ 5,9 milhões de duas firmas atualmente investigadas pela Polícia Civil de Pernambuco. As informações constam no inquérito que apura a atuação de uma organização criminosa envolvida com jogos ilegais e lavagem de dinheiro, e foram citadas na decisão judicial que decretou a prisão do cantor nesta segunda-feira (23).
A investigação faz parte da Operação Integration, que visa desarticular um esquema de lavagem de dinheiro ligado a apostas esportivas e outros negócios ilícitos. Além da prisão preventiva de Gusttavo Lima, a Justiça também determinou o bloqueio de R$ 2 milhões e o sequestro de imóveis ligados ao artista.
Segundo o Coaf, a empresa GSA, da qual Gusttavo Lima é o único sócio, registrou créditos no valor de R$ 18,7 milhões em 2023. Desse montante, R$ 5,9 milhões foram transferidos por empresas cujos sócios já foram indiciados pela polícia. A GSA, por sua vez, transferiu R$ 1,3 milhão diretamente para o cantor, registrado no nome civil Nivaldo Batista Lima.
**Acusações e ocultação de valores**
O relatório detalha ainda que a Balada Eventos e Produções, também de propriedade de Gusttavo Lima, está sendo investigada por supostamente ocultar valores provenientes de jogos ilegais. A empresa teria negociado uma aeronave com uma das firmas sob investigação, ocultando parte do valor da transação. Além disso, a Balada Eventos é acusada de "guardar" em suas contas dinheiro de outras empresas do setor de apostas investigadas na Operação Integration.
A juíza responsável pelo caso comparou o esquema a outro descoberto na investigação que envolve a advogada e influenciadora Deolane Bezerra, que foi presa no início de setembro. Bezerra também é acusada de receber valores de origem suspeita, relacionados a atividades ilegais semelhantes.
**Difusão vermelha pela Interpol**
Em nota, o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) informou que, devido à fuga de alguns dos investigados, foi solicitada a emissão de uma difusão vermelha à Interpol. Essa medida serve para garantir que os foragidos, incluindo Gusttavo Lima, sejam localizados e presos em qualquer país onde estejam.
O TJPE também reforçou que o processo segue sob sigilo, com o objetivo de proteger a integridade das investigações e evitar que detalhes comprometam o andamento do caso.
Até o momento, a defesa de Gusttavo Lima não se pronunciou oficialmente sobre as acusações. A Operação Integration continua em andamento, com novas diligências sendo realizadas para aprofundar as investigações sobre o esquema.