A presença do peixe-leão no litoral de Sergipe voltou a chamar atenção de pesquisadores após novos registros da espécie no estado. Considerado um animal invasor, o peixe vem avançando pela costa brasileira e preocupa especialistas pelos possíveis impactos sobre a biodiversidade marinha e sobre atividades econômicas ligadas à pesca.
O acompanhamento da espécie em Sergipe é realizado por pesquisadores da Universidade Federal de Sergipe (UFS), que têm buscado identificar novos pontos de ocorrência e ampliar a participação de pescadores e comunidades costeiras no monitoramento.
De acordo com o professor Marcelo Brito, do Departamento de Biologia da UFS, o primeiro registro confirmado no estado aconteceu em outubro do ano passado. Desde então, outros exemplares foram encontrados em diferentes áreas, incluindo a região da Foz do Rio Vaza-Barris, Pacatuba e um ponto próximo ao litoral de Aracaju, a cerca de cinco quilômetros da costa.
O pesquisador explica que a chegada do peixe-leão ao Brasil ocorreu por volta de 2020 e que, desde então, a espécie vem se espalhando pelo litoral nacional.
“É uma espécie invasora que conseguiu se estabelecer na costa brasileira e avançar por diferentes regiões. O problema é que ela encontra poucos predadores naturais capazes de controlar sua população”, explicou Marcelo Brito.
Predador pode alterar equilíbrio dos mares
A preocupação dos especialistas está ligada principalmente ao comportamento alimentar do peixe-leão. A espécie possui grande capacidade de reprodução e atua como predadora de diversos organismos marinhos, podendo interferir na cadeia alimentar dos ambientes onde se instala.
Segundo os pesquisadores, peixes como robalo e tainha, principalmente quando ainda jovens, além de camarões, podem estar entre os animais afetados pela presença do invasor.
Para Marcelo Brito, os efeitos podem ultrapassar a questão ambiental e alcançar comunidades que dependem diretamente dos recursos do mar.
“O impacto não fica restrito ao ambiente natural. Quando uma espécie interfere na quantidade de animais disponíveis, isso também pode refletir na atividade pesqueira e na renda de pessoas que vivem desses recursos”, afirmou.
Espinhos venenosos representam risco de acidentes
Além da ameaça ao ecossistema, o peixe-leão também exige atenção pelo risco de acidentes. O animal possui espinhos venenosos nas nadadeiras dorsal, anal e pélvica, capazes de causar ferimentos dolorosos.
Os casos mais comuns acontecem durante a captura ou quando alguém tenta manipular o animal sem os cuidados necessários.
“O maior risco ocorre quando a pessoa tenta retirar o peixe sem conhecer a espécie ou sem proteção adequada. O contato com os espinhos pode provocar dor intensa, febre e náuseas, e a situação pode ser mais delicada para pessoas que possuem algum problema de saúde”, alertou o professor.
A orientação é que pescadores, mergulhadores e banhistas evitem tocar no animal e procurem atendimento médico caso ocorra um acidente.
Captura deve seguir regras de controle
Com o avanço do peixe-leão pelo litoral brasileiro, órgãos ambientais estabeleceram medidas para permitir ações de controle da espécie. A recomendação é que os exemplares capturados não sejam devolvidos vivos ao mar.
Marcelo Brito explica que o procedimento deve ser feito com cuidado para evitar novos acidentes.
“O ideal é retirar o animal do ambiente, fazer o manejo com segurança e armazená-lo em um recipiente adequado, evitando que os espinhos provoquem ferimentos”, orientou.
O professor também reforçou que devolver o peixe ao oceano contribui para a continuidade do problema.
“Quando esse animal retorna ao ambiente, ele continua exercendo a função de predador e pode ocupar novas áreas, aumentando a pressão sobre as espécies nativas”, destacou.
Comunidade ajuda a identificar novos registros
O projeto de extensão MarTeS, desenvolvido pela UFS, tem realizado ações de conscientização junto a pescadores, escolas e comunidades para orientar sobre os riscos da espécie.
A colaboração da população é considerada fundamental para identificar novos aparecimentos e acompanhar a distribuição do peixe-leão na costa sergipana.
Pescadores ou mergulhadores que encontrarem exemplares podem comunicar o registro ao projeto pelo WhatsApp (79) 98138-9237 ou pelo perfil @labictioufs.
Para os pesquisadores, o monitoramento contínuo é uma das principais ferramentas para entender o avanço da espécie e reduzir possíveis impactos ambientais e econômicos no litoral de Sergipe.
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