O assessor da Casa Civil do Rio de Janeiro, Victor Travancas, encaminhou ao governador Cláudio Castro (PL) um pedido de exoneração em que atribui sua saída à permanência de André Moura — ex-deputado federal por Sergipe e pré-candidato ao Senado pelo União Brasil — no comando da Secretaria de Governo.
No documento, ao qual a reportagem teve acesso, Travancas afirma que sua decisão decorre de “profunda inconformidade” com a manutenção de Moura na pasta. Ele sustenta que, embora o STF tenha declarado a extinção da punibilidade do político em 2023, após a homologação parcial de um acordo de não persecução penal proposto pela PGR, isso “não apaga os fatos investigados”, segundo sua própria avaliação.
Travancas também cita publicações nas redes sociais em que Moura aparece ao lado do ex-deputado TH Joias, investigado por suposta ligação com o Comando Vermelho. As menções constam integralmente no ofício enviado ao Palácio Guanabara.
Histórico de atritos
Em conversa com o a "Folha de São Paulo", o assessor relatou ter ocupado diferentes posições no governo Castro. Ele afirma que foi deslocado para o Arquivo Público do Estado após receber ameaças de morte enquanto exercia funções relacionadas ao combate à corrupção. Em janeiro, acabou exonerado depois de determinar o fechamento do órgão alegando problemas estruturais — medida tomada sem consenso com a gestão.
Travancas retornou ao governo posteriormente, para atuar na área de relações internacionais. Segundo ele, a readmissão serviu como um reconhecimento implícito de que sua exoneração anterior havia sido equivocada.
Apesar do novo pedido de saída, o assessor diz que ainda não foi desligado oficialmente pela administração estadual.
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